Num lindo e verde vale que bordejava calmo rio de águas cristalinas, vivia, há algumas gerações, uma família de fazendeiros que cuidava do amanho das férteis terras e da criação de gado. Era uma família grande, pai, mãe e sete filhos, dos quais, a mais velha e a mais nova, eram meninas.
As filhas ajudavam a mãe nas lides da casa, da limpeza à preparação das refeições, da confecção das compotas sazonais à azáfama do aprontar dos enchidos para o fumeiro. Os filhos, quando as obrigações escolares o permitiam, saíam cedo para os campos, ajudando em todas as tarefas da lavoura e no maneio dos animais. Eram uma família remediada, saudável e feliz.
Certa manhã, indo o fazendeiro ao galinheiro para recolher uns ovos, descobriu que uma das galinhas tinha posto um ovo de ouro. E assim aconteceu por muitos dias. O fazendeiro foi vendendo os ovos da galinha, que tinha baptizado de Midas, e acabou senhor de uma grande fortuna.
Até que um dia, o fazendeiro, matou a galinha. O que fizeste tu?, perguntou-lhe a mulher. E que tinha nas entranhas?, voltou a perguntar. Nada, disse-lhe o fazendeiro.
Então porque o fizeste?, inquiriu a mulher em desespero. Ao que o fazendeiro respondeu: Olha, mulher. As frutas caem das árvores, porque ninguém as apanha. Os nossos filhos mudaram-se todos para a cidade. Já não fazemos matança do porco porque, só para dois, não se justifica. Não consigo cuidar das terras dos meus pais, sozinho. O gado definha. As tuas filhas estão casadas, com interesseiros caçadores de fortuna, e não sabem o que é amor. Os teus filhos perdem-se entre noitadas de borga, estroina, mulheres de vida fácil, álcool e droga. Nenhum deles faz nada na vida e todos abandonaram a escola. A nossa casa é ninho da tristeza. Quero a minha antiga vida de volta. Tornámo-nos uma família rica, pouco saudável e infeliz. Por isso matei a galinha.
Moral da estória: Ganha o teu pão com o suor do teu rosto. Só darás verdadeiro valor ao que alcançares com muita labuta, pois nunca saberás valorizar o que obtiveres sem esforço.
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